Hoje é Halloween e para comemorar este dia de uma forma mágica, vou contar uma lenda...
Téo era um menino de 12 anos, filho de um ferreiro.
Seu pai vivia lhe contando a história do Rei Arthur, que crescera sem saber que era um rei , e de como ele conseguira tirar uma espada mágica, cravada pelo Mago Merlin no meio de uma enorme pedra e só assim é que ele acabara descobrindo o seu verdadeiro destino.
Era mágico ouvir seu pai contando aquela história e ela nunca perdia o seu encanto. Mas ele não conseguia contar a história para os seus amigos, porque era gago e todos riam muito dele. Ele, envergonhado, preferia ficar triste e solitário.
Certa noite de um dia de verão, Téo estava a imaginar como seria viver entre magos e fadas, ser sábio e poderoso e filho de um rei. Como estava calor, resolveu dar uma caminhada.
E no meio do caminho, encontrou uma porta e resolveu olhar pelo buraco da fechadura...
Quando percebeu, estava no meio do mato. Foi caminhando e de repente passou por um lindo portal.
E viu surgir diante de si um floresta linda, mágica...ele estava bobo com tanta beleza...
Atravessou, então, uma linda ponte mas não sabia onde iria chegar...
Olhem só o que ele encontrou pelo seu caminho...fadas, milhares de fadas...que lindas...!
A floresta estava cheia delas!
Ele viu também vários tipos de casinhas espalhadas pela floresta. Eram casas diferentes...encantadas! Sabem quem morava lá?
Isso mesmo, duendes e gnomos! ai, que mágico...Téo achava que estava sonhando...será?

E olha só os vizinhos das fadas, duendes e gnomos! que coisa mais linda e fofa!...
E esse sr. sapo? que folgado!!!....isso é hora de tomar banho de sol?
E esses passarinhos...? que beleza de natureza!...que lindo! estão ouvindo eles cantarem?...
E em história de bruxo, fadas e gnomos, voce achou que não ia ter coruja?...olha ela aí...!
E estava Téo todo distraído, deslumbrado com toda a beleza do lugar quando, de repente, ele ouviu um barulho. Ao longe percebeu um vulto vindo em sua direção. Era um senhor de cabelos brancos e ralos, barba fina e comprida. Ele vinha andando lentamente e parecia muito cansado. Téo então, correu até ele e lhe ofereceu ajuda. O senhor então lhe disse: "Obrigado, pequeno amigo. Poucos se ofereceriam para ajudar um velho como eu". Téo sorriu e o senhor então continuou: "Vejo também que é muito inteligente. Mas há dor em seu coração".
Temendo que o senhor risse de sua gagueira, Téo nada respondeu. Ofereceu-lhe a água que acabara de retirar da fonte. O senhor lhe disse, então:
"Espere, eu é que quero que voce beba da água que trouxe naquele caldeirão". Mas Téo sabia que este estava vazio. E duvidou do homem: "Será que ele é maluco?"
Mas quando Téo tocou o caldeirão, viu que ele estava cheio da água mais limpa que já vira em sua vida. Mergulhou então o rosto nela e bebeu. Sua sede era enorme. Ele bebia, bebia e a água parecia não terminar. De repente, ele sentiu a água enchendo seu corpo com tanta força, sentiu a mente com tanta clareza e compreensão...
"- Merlim!" - disse o menino espantado, a voz soando tão pura e natural quanto a água que ele terminara de provar. - " Merlim, é voce!"
O manto azul parecia não ter fim. As mãos eram fortes e repletas de anéis; no lugar da bengala, um cajado engastado de pedras preciosas. O rosto era jovem e o sorriso divertido.

Merlin levantou as mãos e por trás de Téo apareceu um pequena ilha pairando por sobre as nuvens e no meio dela, um castelo cujos portais lentamente se abriam.
"- Venha, Téo. Quero que conheça o meu mundo e depois volte para a sua terra e conte ao seu mundo as histórias da nossa tradição. Não deixe que se esqueçam de nós. De seu encontro com o Rei Arthur."
Téo nunca se esqueceu de sua viagem a Avalon. Da beleza da Rainha Genoveva e do fascínio que sentiu diante de Morgana, a fada de sorriso irresistível e olhos negros.
Já era quase meio-dia quando Téo apareceu em casa gritando: -"Voce estava certo! É tudo verdade! Tudo o que voce me contava, pai, era verdade!"
Seu pai sorriu e o levou até um canto da oficina onde havia uma mesa. Empurrou-a e no chão havia uma portinhola. Abriu-a e dali retirou uma ferradura de prata.
"- Meu filho, quando voce se encontrar com o Rei Arthur novamente, quero que lhe devolva isto. Eu já a consertei". Depois abraçou o filho carinhosamente e deu ao menino um pequeno baú, cheio de moedas de ouro dentro. E disse-lhe:
"- Agora parta. O mundo precisa de suas histórias".
E foi assim que o menino, o pequeno ferreiro, se tornou um dos mais importantes mensageiros de Avalon. Saiu espalhando pelo mundo as histórias sobre o Rei Arthur, Mago Merlin, Avalon , suas fadas, gnomos e duendes lindos, e estas mesmas histórias continuamos a repetir hoje, tantos séculos depois.
(História baseada na lenda inglesa de Cadbury Hill, Séc. XVII)
, e publiquei com a minha adaptação.